Resumo em 30 segundos
- Polineuropatia é o comprometimento de muitos nervos periféricos ao mesmo tempo, em geral começando pelos pés.
- O diabetes é a causa mais comum; deficiência de vitamina B12, álcool, remédios, doenças da tireoide e causas hereditárias também entram na lista.
- A eletroneuromiografia confirma o quadro e mostra se a lesão é do fio do nervo ou da sua capa, o que muda a investigação.
- Nervos de fibras finas, responsáveis por dor e temperatura, podem precisar de avaliação específica.
Na polineuropatia o problema não está em um ponto só: vários nervos são atingidos ao mesmo tempo, e os mais longos sofrem primeiro. Por isso os sintomas costumam começar nos dedos dos pés, subir devagar pelas pernas e, com o tempo, chegar às mãos — o padrão que os médicos chamam de "bota e luva".
Reconhecer cedo é importante: tratar a causa pode frear a progressão e prevenir feridas e quedas.
Quais são os sintomas da polineuropatia?
Os sintomas típicos são formigamento, dormência, queimação ou choque nos pés, que sobem lentamente pelas pernas e depois atingem as mãos. Podem surgir dor que piora à noite, sensação de andar sobre algodão, perda de equilíbrio no escuro, cãibras e, nos casos mais avançados, fraqueza para levantar a ponta do pé.
A perda de sensibilidade nos pés faz com que pequenas feridas passem despercebidas. Quem tem diabetes e polineuropatia precisa examinar os pés todos os dias.
O que causa a polineuropatia?
A causa mais comum é o diabetes. Outras causas frequentes são deficiência de vitamina B12, consumo excessivo de álcool, hipotireoidismo, doença renal, alguns quimioterápicos e remédios, infecções e doenças autoimunes. Há também polineuropatias hereditárias e casos sem causa encontrada mesmo após investigação completa, chamados idiopáticos.
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O que a eletroneuromiografia mostra na polineuropatia?
O exame confirma que vários nervos estão afetados, mede a intensidade e mostra o tipo de lesão: axonal, quando o próprio fio do nervo se perde, ou desmielinizante, quando a capa que acelera o sinal é atingida. Essa diferença orienta os exames seguintes e alguns tratamentos, como nas polineuropatias inflamatórias.
| Tipo | O que o exame mostra | Exemplos de causa |
|---|---|---|
| Axonal | Respostas mais fracas, velocidade quase normal | Diabetes, álcool, deficiência de B12, remédios |
| Desmielinizante | Velocidade muito reduzida, bloqueios no trajeto | Polineuropatias inflamatórias, algumas hereditárias |
Como o quadro atinge braços e pernas, o pedido mais comum é a eletroneuromiografia de 4 membros.
E quando o exame vem normal, mas os pés queimam?
A eletroneuromiografia convencional avalia as fibras nervosas grossas. Algumas polineuropatias atingem só as fibras finas, responsáveis por dor e temperatura, e o exame de rotina pode vir normal. Nesses casos o médico pode pedir uma avaliação específica de fibras finas, que complementa a investigação.
Algumas unidades oferecem a ENMG com avaliação de fibras finas. Converse com o médico que acompanha você sobre a necessidade.
Perguntas frequentes: polineuropatia
Polineuropatia tem cura?
Depende da causa. Tratar diabetes, repor vitamina B12 ou suspender um remédio pode estabilizar ou melhorar o quadro. Formas hereditárias não têm cura, mas há tratamento para os sintomas.
Quem tem diabetes deve fazer eletroneuromiografia?
Nem sempre. O médico pede quando há sintomas, dúvida sobre a causa ou necessidade de medir a gravidade. O exame dos pés no consultório é rotina para todos.
Polineuropatia e neuropatia são a mesma coisa?
Neuropatia é qualquer doença de nervo. Polineuropatia é quando muitos nervos são atingidos de forma difusa e simétrica.
O exame de 4 membros demora mais?
Sim, porque avalia braços e pernas. Costuma levar de 45 minutos a pouco mais de uma hora.
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Referências
Conteúdo baseado nos livros-texto de eletrodiagnóstico usados na formação em neurofisiologia clínica:
- Preston DC, Shapiro BE. Electromyography and Neuromuscular Disorders: Clinical-Electrophysiologic-Ultrasound Correlations. 4ª ed. Elsevier; 2020.
- Kimura J. Electrodiagnosis in Diseases of Nerve and Muscle: Principles and Practice. 4ª ed. Oxford University Press; 2013.
- Dumitru D, Amato AA, Zwarts MJ. Electrodiagnostic Medicine. 2ª ed. Hanley & Belfus; 2002.
Conteúdo informativo do Instituto Saúde, revisado por Dra. Maria Paula Carvalho Azevedo (CRM 212155); não substitui consulta nem interpreta exames individuais. Em sintomas súbitos ou graves, procure atendimento de urgência. Publicado em 9 de outubro de 2026; última revisão em 9 de outubro de 2026.