A síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico ataca as glândulas que produzem lágrima e saliva, causando principalmente olho seco e boca seca. Além do desconforto da secura, ela pode trazer fadiga e dores articulares. Com acompanhamento reumatológico adequado, é possível aliviar os sintomas, prevenir complicações e cuidar da qualidade de vida. Neste artigo, o Dr. Marcelo Scaramussa, reumatologista do Instituto Reumatologia Minas, explica o que é a síndrome de Sjögren, como reconhecê-la e como é feito o tratamento.
O que é a síndrome de Sjögren?
Na síndrome de Sjögren, o sistema imunológico, que deveria proteger o organismo, passa a atacar as glândulas exócrinas — sobretudo as lacrimais e as salivares. Esse ataque reduz a produção de lágrima e de saliva, gerando o que os médicos chamam de síndrome seca. Por ser uma doença sistêmica, ela também pode envolver outras partes do corpo, como articulações, pele, pulmões e nervos.
A doença costuma evoluir de forma lenta, e muitas pessoas convivem por anos com sintomas atribuídos ao cansaço ou ao clima antes de receberem o diagnóstico. Reconhecer o conjunto de sinais é o que permite o cuidado adequado.
Sintomas da síndrome de Sjögren
Os sintomas mais característicos estão ligados à secura, mas a doença vai além dela:
- Olho seco: sensação de areia ou de corpo estranho, ardência, vermelhidão e sensibilidade à luz, quadro conhecido como ceratoconjuntivite seca.
- Boca seca: dificuldade para engolir e falar, necessidade constante de beber água, mais cáries e, às vezes, aumento das glândulas parótidas, na região da bochecha.
- Secura de outras mucosas: nariz, garganta, pele e região genital também podem ficar ressecados.
- Fadiga: cansaço importante, um dos sintomas que mais afetam o dia a dia dos pacientes.
- Dores articulares e musculares: desconforto nas articulações, muitas vezes acompanhado do fenômeno de Raynaud (dedos que mudam de cor no frio).
Com menos frequência, a doença pode afetar pulmões, rins e o sistema nervoso, o que reforça a importância do acompanhamento especializado mesmo quando os sintomas parecem restritos à secura.
Síndrome de Sjögren primária e secundária
A síndrome de Sjögren pode aparecer de duas formas. A primária ocorre isoladamente, sem outra doença autoimune associada. A secundária surge junto de outra condição reumatológica, como a artrite reumatoide, o lúpus ou a esclerose sistêmica. Essa distinção influencia o acompanhamento, pois na forma secundária é preciso tratar também a doença de base.
A síndrome de Sjögren é bem mais comum em mulheres e costuma se manifestar na meia-idade, embora possa surgir em qualquer fase da vida.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico reúne os sintomas relatados, o exame clínico e exames que confirmam tanto a autoimunidade quanto a redução das secreções:
- Anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB: exames de sangue que apoiam o diagnóstico; o anti-Ro/SSA é o mais associado à doença. FAN e fator reumatoide também costumam ser pesquisados.
- Teste de Schirmer: mede a produção de lágrima com uma pequena tira de papel no olho, ajudando a comprovar o olho seco.
- Avaliação oftalmológica da superfície ocular: corantes específicos mostram o grau de ressecamento dos olhos.
- Biópsia de glândula salivar menor: feita no lábio, revela o infiltrado de células de defesa que caracteriza a doença e é muito útil em casos duvidosos.
Como vários exames se complementam, o reumatologista os interpreta em conjunto para chegar ao diagnóstico. Para conhecer melhor essa etapa, veja quais exames que o reumatologista pode pedir.
Tratamento da síndrome de Sjögren
A síndrome de Sjögren ainda não tem cura, mas o tratamento controla bem os sintomas e ajuda a prevenir complicações. Ele é individualizado e combina medidas locais e, quando necessário, medicamentos sistêmicos:
- Cuidados com o olho seco: lágrimas artificiais e lubrificantes, medidas ambientais e, em casos selecionados, colírios específicos ou procedimentos que preservam a lágrima.
- Cuidados com a boca seca: hidratação frequente, saliva artificial, estímulo da salivação com medicamentos apropriados, higiene bucal rigorosa e uso de flúor para prevenir cáries.
- Hidroxicloroquina: frequentemente indicada para aliviar dores articulares e fadiga.
- Imunossupressores: reservados para os casos com acometimento de órgãos, sempre com acompanhamento próximo.
O objetivo é reduzir o desconforto, proteger olhos e boca e controlar as manifestações sistêmicas, sempre ajustando o tratamento ao longo do acompanhamento.
Complicações e acompanhamento
Quando não é bem cuidada, a secura pode favorecer cáries, infecções na boca e lesões na córnea. A síndrome de Sjögren também está associada a um risco levemente aumentado de um tipo de linfoma, o que torna o acompanhamento regular importante para vigiar sinais como aumento persistente das glândulas. Por isso, o cuidado costuma ser em equipe, envolvendo reumatologista, oftalmologista e dentista. Gestantes com anti-Ro/SSA positivo também precisam de acompanhamento específico durante a gravidez. Por isso, o reumatologista avalia o conjunto do quadro e organiza o seguimento adequado a cada paciente.
Atendimento no Instituto Reumatologia Minas
O acompanhamento da síndrome de Sjögren é conduzido pelo Dr. Marcelo Scaramussa (CRM-MG 71730 | RQE 45012/54131), reumatologista do Instituto Reumatologia Minas. O atendimento acontece em Belo Horizonte (unidades Santo Agostinho, Barreiro e Venda Nova), em Contagem e em Betim, além de telemedicina para todo o Brasil.
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