A gota é um tipo de artrite inflamatória causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico dentro das articulações. Ela é conhecida pelas crises de dor intensa e súbita, que costumam começar no dedão do pé. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a gota é uma das doenças reumáticas mais bem controladas, permitindo que a pessoa fique livre de novas crises e leve uma vida normal.
O que é a gota e o papel do ácido úrico
O ácido úrico é uma substância que o corpo produz naturalmente ao processar as purinas, presentes em vários alimentos e nas próprias células. Normalmente, ele é eliminado pela urina. Quando há produção excessiva ou dificuldade de eliminação, o ácido úrico se acumula no sangue, um quadro chamado hiperuricemia. Ao longo do tempo, esse excesso pode formar cristais que se depositam nas articulações e desencadeiam a inflamação da gota.
Vale destacar que nem todo mundo com ácido úrico elevado desenvolve gota. A doença acontece quando os cristais realmente se depositam e provocam crises ou depósitos visíveis.
A gota é mais comum em homens adultos e nas mulheres após a menopausa, mas pode surgir em diferentes idades. Nos últimos anos, mudanças na alimentação e o aumento da obesidade tornaram a doença ainda mais frequente. Por isso, conhecer os gatilhos e manter o acompanhamento médico são atitudes que fazem grande diferença no controle a longo prazo.
A crise de gota: o clássico ataque no dedão do pé
A crise aguda é a marca registrada da gota. Ela costuma surgir de forma repentina, muitas vezes de madrugada, com dor muito intensa em uma única articulação. A localização mais típica é a base do dedão do pé, que fica inchada, vermelha, quente e tão sensível que o simples toque do lençol já incomoda. Outras articulações, como tornozelo, joelho, pé e mãos, também podem ser afetadas.
Sem tratamento, uma crise pode durar de alguns dias a duas semanas. Reconhecer os sinais precocemente ajuda a agir rápido. Como a dor articular tem muitas origens, vale entender também as causas da dor nas articulações e quando se preocupar.
Entre uma crise e outra, a pessoa costuma ficar sem sintomas, o que pode dar a falsa impressão de que a doença desapareceu. Na verdade, o ácido úrico continua elevado e os cristais seguem se acumulando de forma silenciosa, preparando o terreno para o próximo ataque. Essa é uma das razões pelas quais o tratamento não deve se limitar apenas ao alívio da crise.
Fatores de risco: dieta, álcool e genética
Vários fatores aumentam o ácido úrico e o risco de gota:
- Alimentação: consumo frequente de carne vermelha, vísceras (fígado, coração), frutos do mar e mariscos.
- Álcool: principalmente cerveja e destilados.
- Bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos ricos em frutose.
- Genética: história familiar de gota aumenta a predisposição.
- Outros fatores: obesidade, sexo masculino, idade, menopausa, doença renal, hipertensão, diabetes e uso de alguns diuréticos.
Como é feito o diagnóstico da gota
O reumatologista suspeita de gota pelo quadro clínico típico e confirma com a avaliação laboratorial. A dosagem do ácido úrico no sangue é importante, mas atenção: ele pode estar normal justamente durante a crise, por isso não descarta o diagnóstico sozinho. O exame mais preciso é a análise do líquido da articulação, que identifica os cristais de urato ao microscópio. O ultrassom articular também ajuda em muitos casos. Para entender melhor a investigação, veja quais são os exames que o reumatologista pode pedir.
Tratamento da crise e tratamento de longo prazo
É essencial diferenciar as duas fases do tratamento, porque elas têm objetivos distintos:
- Tratamento da crise: foca em aliviar a dor e a inflamação o mais rápido possível, com anti-inflamatórios, colchicina ou corticoides, conforme a prescrição médica, além de repouso e gelo no local.
- Tratamento de longo prazo: busca reduzir o ácido úrico de forma contínua para evitar novas crises e depósitos. O medicamento mais usado é o alopurinol, que ajuda a manter o ácido úrico em níveis seguros.
Um ponto importante: em geral não se inicia o alopurinol durante a crise, mas quem já usa deve manter a medicação. O tratamento de longo prazo costuma ser contínuo e acompanhado pelo reumatologista, que ajusta as doses e monitora os resultados.
Por que manter o tratamento contínuo
Muitos pacientes interrompem a medicação assim que a dor passa, e esse é um dos principais motivos de novas crises. Como a gota é controlada, e não curada, manter o ácido úrico dentro da meta definida pelo médico é o que garante longos períodos livres de sintomas e protege as articulações e os rins ao longo dos anos. O acompanhamento periódico permite confirmar se o alvo está sendo alcançado e ajustar o tratamento quando necessário.
Alimentação na gota: o que ajuda e o que evitar
A mudança de hábitos é uma aliada valiosa no controle da gota:
- Reduzir: carne vermelha, vísceras, frutos do mar, cerveja, destilados e bebidas açucaradas.
- Preferir: bastante água ao longo do dia, laticínios com baixo teor de gordura, vegetais e frutas.
- Manter: controle de peso e prática regular de atividade física.
A alimentação ajuda a reduzir as crises, mas nem sempre substitui a medicação em quem já tem indicação de tratamento. Por isso o acompanhamento médico é indispensável.
Complicações e acompanhamento com reumatologista
Quando a gota não é tratada, as crises tendem a ficar mais frequentes e intensas. Com o tempo, podem surgir os tofos (depósitos de cristais sob a pele), a destruição e deformidade das articulações, além de cálculos renais e comprometimento dos rins. Por isso, o tratamento contínuo faz toda a diferença.
No Instituto Reumatologia Minas (rede Instituto Saúde), o reumatologista Dr. Marcelo Scaramussa (CRM-MG 71730 | RQE 45012/54131) acompanha pacientes com gota em Belo Horizonte (unidades Santo Agostinho, Barreiro e Venda Nova), em Contagem e Betim, e por telemedicina para todo o Brasil. Conheça também nosso reumatologista em Belo Horizonte e agende pelo WhatsApp ou telefone (31) 3244-1818.