Espondilite Anquilosante: Sintomas e Tratamento

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que atinge principalmente a coluna e as articulações sacroilíacas, provocando dor lombar persistente e rigidez, sobretudo em adultos jovens. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e acompanhamento reumatológico adequado, é possível controlar a inflamação, preservar a mobilidade e manter a qualidade de vida. Neste artigo, o Dr. Marcelo Scaramussa, reumatologista do Instituto Reumatologia Minas, explica o que é a espondilite anquilosante, como reconhecê-la e quais são as opções de tratamento atuais.

O que é a espondilite anquilosante?

A espondilite anquilosante faz parte de um grupo de doenças chamado espondiloartrite axial. Nela, o sistema imunológico provoca inflamação nas articulações sacroilíacas (que ligam a bacia à base da coluna) e ao longo da própria coluna vertebral. A inflamação atinge especialmente as ênteses, que são os pontos onde tendões e ligamentos se fixam ao osso.

Com o tempo, a inflamação repetida pode estimular a formação de novo osso entre as vértebras. Quando não controlada, essa reação pode levar à fusão de segmentos da coluna, reduzindo a flexibilidade — daí o termo "anquilosante". Por isso, controlar a inflamação cedo é tão importante: evita ou retarda esse dano estrutural. Nem todos os pacientes chegam a esse estágio, e muitos convivem bem com a doença quando ela é tratada de forma consistente.

Sintomas: a dor lombar inflamatória

O sintoma mais característico é a chamada dor lombar inflamatória, diferente da dor mecânica comum de coluna. Os sinais que ajudam a reconhecê-la são:

  • Início antes dos 45 anos: a dor costuma surgir de forma lenta e gradual, não após um esforço específico.
  • Rigidez matinal prolongada: sensação de coluna "travada" ao acordar, que dura mais de 30 minutos.
  • Melhora com o exercício e piora com o repouso: ao contrário da dor mecânica, o movimento alivia e ficar parado agrava.
  • Dor na segunda metade da noite: muitas pessoas acordam de madrugada com dor e precisam se levantar e se movimentar.
  • Dor glútea alternante: incômodo que passa de um lado para o outro da bacia, sinal de inflamação nas sacroilíacas.

Além da coluna, a doença pode causar dor em outras ênteses, como no calcanhar (tendão de Aquiles e fáscia plantar), inchaço de um dedo inteiro (dactilite) e fadiga importante. Também existem manifestações fora das articulações, como a uveíte anterior aguda(olho vermelho, dolorido e sensível à luz), a psoríase e a doença inflamatória intestinal. Esses sinais ajudam o reumatologista a montar o quadro completo.

Quem é mais afetado e o papel do HLA-B27

A espondilite anquilosante costuma começar entre os 20 e os 30 anos e é mais frequente em homens, embora também afete mulheres, muitas vezes com sintomas menos típicos e diagnóstico mais tardio. Existe uma forte ligação com um marcador genético chamado HLA-B27: boa parte dos pacientes o carrega.

É importante entender, porém, que ter o HLA-B27 não significa necessariamente desenvolver a doença. A maioria das pessoas que possui esse marcador nunca terá espondilite, e há pacientes com a doença que são HLA-B27 negativos. Por isso o exame ajuda, mas não fecha o diagnóstico sozinho — ele sempre é interpretado dentro do conjunto clínico.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame único que confirme a espondilite anquilosante. O diagnóstico é clínico e reúne a história do paciente, o exame físico e exames complementares:

  • Avaliação da mobilidade da coluna: testes como o de Schober e a medida da expansibilidade do tórax mostram limitações precoces.
  • Ressonância magnética das sacroilíacas: é o exame mais sensível para detectar a inflamação (edema ósseo) no início, antes que apareçam alterações no raio-X.
  • Radiografia da bacia e da coluna: revela alterações estruturais das sacroilíacas em fases mais avançadas.
  • HLA-B27, VHS e PCR: o marcador genético reforça a suspeita, e os exames de inflamação ajudam a avaliar a atividade da doença.

Um dos maiores desafios é o atraso no diagnóstico, que pode levar anos, já que a dor nas costas é muito comum e nem sempre é investigada a fundo. Se quiser entender melhor essa etapa, veja quais exames que o reumatologista pode pedir fazem parte da investigação.

Tratamento da espondilite anquilosante

A espondilite anquilosante ainda não tem cura, mas conta com tratamentos eficazes que controlam os sintomas e ajudam a preservar a função da coluna. O tratamento é individualizado e combina medidas diferentes:

  • Exercício e fisioterapia: são a base do tratamento. Atividades regulares para mobilidade, postura e fortalecimento ajudam a manter a flexibilidade e a reduzir a dor.
  • Anti-inflamatórios (AINEs): costumam ser a primeira escolha medicamentosa e aliviam bem a dor inflamatória na maioria dos casos.
  • Medicamentos biológicos: quando os AINEs não bastam, entram os agentes anti-TNF e os anti-IL-17, que atuam diretamente na inflamação. Há ainda os inibidores de JAK, de uso oral.
  • Abandono do cigarro: o tabagismo piora a evolução da doença, então parar de fumar faz parte do tratamento.

Vale destacar que os corticoides por via oral, tão usados em outras doenças reumáticas, têm pouco efeito na forma axial da espondilite e não são a base do tratamento. Toda a estratégia é ajustada ao longo do acompanhamento, com reavaliações periódicas para garantir controle e segurança.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

Quanto antes a inflamação é controlada, maior a chance de preservar a mobilidade e evitar danos irreversíveis na coluna. Identificar a doença cedo permite iniciar exercícios e medicamentos no momento certo, com impacto direto na qualidade de vida a longo prazo. Uma dor lombar que persiste por mais de três meses em uma pessoa jovem, com as características inflamatórias descritas aqui, merece avaliação especializada. Para saber diferenciar os tipos de dor, veja também o artigo sobre dor nas articulações e quando se preocupar.

Atendimento no Instituto Reumatologia Minas

O tratamento da espondilite anquilosante é conduzido pelo Dr. Marcelo Scaramussa (CRM-MG 71730 | RQE 45012/54131), reumatologista do Instituto Reumatologia Minas. O atendimento acontece em Belo Horizonte (unidades Santo Agostinho, Barreiro e Venda Nova), em Contagem e em Betim, além de telemedicina para todo o Brasil.

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Perguntas frequentes

Ainda não há cura, mas o tratamento é eficaz e controla bem os sintomas. Com exercícios, medicamentos e acompanhamento reumatológico contínuo, a maioria dos pacientes mantém a mobilidade e uma boa qualidade de vida.

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